Redes, tranquilidade e zoeira: como o público tem usado a Nova Doca
A manhã de quinta-feira (9) amanheceu com uma cena curiosa na recém-inaugurada Nova Doca, em Belém. Um morador foi flagrado esticando sua rede entre as estruturas vermelhas do novo espaço público e tomando um cochilo. A imagem foi postada pelo vereador Zezinho Lima, com a legenda: “NOVA DOCA. O paraense não existe!!!” – e, como era de se esperar, viralizou rapidinho, arrancando risadas, comentários poéticos, ironias e elogios à “ousadia à moda do Belemense”.
Enquanto uns viram ‘arte urbana’, outros viram ‘uso indevido’. Entre internautas, um foi enfático: “Foi inaugurada devidamente”, Já outro, em outro post nosso aqui, sobre o novo “perfume” da Doca, afirmou: “Meu filho, até Paris fede”. Mais leve, um terceiro comentou: “Tá bonito, mas ninguém merece a vala”. Há quem defenda que o local inspire ‘confraternização, descanso, convívio sereno’… e também quem reclame que o espaço ainda carece de zelo, fiscalização e atenção.
A “Nova Doca”, vale lembrar, não é “só” uma praça bonita: faz parte de um projeto bem maior. Segundo a SEOP (Secretaria de Estado de Obras Públicas do Pará), abrange oito módulos ao longo da Avenida Visconde de Souza Franco, entre Canal do Ver-o-Rio e Avenida Marechal Hermes, com estruturas metálicas que sustentarão quiosques, academia ao ar livre, playground, passarelas, espaço pet, ciclovia e urbanização ampla.
Também obras de drenagem profunda, rede de esgoto sanitário, tubulação de água potável, etc. A quadra 1 do canal — o trecho compreendido entre Marechal Hermes e Rua Belém — já está asfaltada e liberada para o trânsito, com jardins suspensos, passarela, mirante e ‘balé das águas’.
O projeto é prioritário para o legado da COP 30, que ocorrerá em Belém em novembro deste ano. E é justamente essa grandiosidade do projeto que está em contraste com cenas simples e quase poéticas como a do morador de rede: ele relaxa onde há estrutura moderna, enquanto outros reclamam do cheiro, do mau uso e da aparente falta de fiscalização. Houve quem comentasse: “Nem as plantas estão dando conta”, em alusão ao odor, que já foi tema de discussões — sim, o cheiro continua...
Seja criticar ou elogiar, o fato é que a Nova Doca funciona como espelho da alma paraense: mistura ousadia, convívio social, críticas e celebração. Que as redes de descanso multipliquem o descanso — mas que a gestão multiplique cuidado e atenção, para que a beleza não vire piada por falta de completude.

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