“Saí da entrevista me sentindo menor”: paraense relata humilhação em seleção de hotel em Belém

O que deveria ser apenas mais uma entrevista de emprego terminou como uma lembrança amarga para um morador de Belém. Ele se inscrevera para a vaga de auxiliar de cozinha em um hotel da capital, mas garante que saiu da sala de seleção com a sensação de ter sido humilhado.

Assim que chegou, o candidato percebeu o peso dos olhares. Tentou quebrar o clima cumprimentando o recrutador, mas recebeu como resposta um olhar de cima a baixo. O entrevistador — um senhor de 80 anos de idade, natural de São Paulo —, começou a falar sobre a vaga. Quando o paraense mencionou suas experiências em restaurantes da região das ilhas, ouviu uma frase que o feriu profundamente:

Ele disse que aquilo não valia nada, que já tinha sido gerente de hotéis cinco estrelas no Rio, em Fortaleza e em São Paulo”, contou.

Ele gritou comigo: ‘Escute primeiro, vocês são muito mal educados’. Naquele instante eu só queria desaparecer. Então apenas esperei o fim da entrevista para ir embora”, relembrou.

O entrevistador também perguntou sobre o meu nível de inglês. “Começo meu curso no dia primeiro”. Ele ironizou: “Ah, mais um que não sabe”. Foi humilhante! Eu tão somente buscava uma oportunidade, mas saí dali me sentindo inferiorizado”, desabafou.

A situação se agravou quando o candidato tentou continuar sua fala. Antes que terminasse, foi cortado.

O entrevistador foi descrito pelo candidato era responsável pela administração de três hotéis em Belém — alguns deles se preparando para receber visitantes durante a COP30.

Especialistas em carreira afirmam que episódios como esse já revelam muito sobre o ambiente de trabalho oferecido. “Se durante o processo seletivo o candidato é tratado com gritos e desprezo, é sinal de que a empresa pode carregar uma cultura tóxica, onde os próprios funcionários acabam vivendo a mesma realidade”, analisou um consultor ouvido pela reportagem.

Sem querer se identificar, o candidato deixou claro apenas uma coisa: sua indignação. Para ele, episódios como esse mostram que ainda há quem chegue de fora e trate os trabalhadores locais como se valessem menos.

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