Caso Renata Cardim: neto de ex-governador do Pará vai a júri popular, decide STJ



O Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu nesta terça-feira (9) que Hélio Gueiros Neto, neto do ex-governador do Pará, Hélio Gueiros, será levado a júri popular pela morte da esposa, Renata Cardim, ocorrida em maio de 2015, em Belém.

A Quinta Turma da Corte rejeitou recurso da defesa e confirmou a decisão do Tribunal de Justiça do Pará (TJPA), que havia pronunciado o acusado por homicídio triplamente qualificado — feminicídio, asfixia e recurso que impossibilitou a defesa da vítima. Com a decisão, o processo segue para julgamento pelo Tribunal do Júri.

Segundo a denúncia do Ministério Público do Pará (MPPA), Renata foi sedada e asfixiada no apartamento onde vivia com o acusado. A morte, inicialmente tratada como natural, passou a ser investigada novamente em 2017, após a exumação do corpo revelar sinais consistentes de violência mecânica.

O MPPA sustenta que o crime teria sido cometido de forma deliberada, diante do fim do relacionamento. Em 2020, a Justiça estadual já havia determinado que Hélio fosse submetido ao júri popular, decisão posteriormente ratificada pelo TJPA em 2023.

DIVERGÊNCIAS — Na madrugada de 27 de maio de 2015, de acordo com a versão apresentada por Hélio, Renata teria sofrido um mal súbito. Ele afirma ter acionado familiares e levado a esposa a um hospital particular, onde o óbito foi constatado. O primeiro laudo necroscópico apontou aneurisma abdominal e hemorragia generalizada como causa da morte, versão sustentada pela família Gueiros.

Entretanto, a família da vítima contestou o laudo, alegando histórico de agressões e pedindo a exumação do corpo. Um novo exame descartou a hipótese inicial de aneurisma, concluindo que a causa foi asfixia mecânica, reforçando a tese de homicídio.

DEFESA — A defesa de Hélio Gueiros Neto reafirma a inocência do réu e sustenta que cinco laudos emitidos pelo Centro de Perícias Científicas Renato Chaves atestam morte natural. O advogado de defesa informou que pretende recorrer da decisão ao Supremo Tribunal Federal (STF).

FOTO: G1.COM

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