União Progressista rompe com Lula e exige saída de aliados do governo federal


Comunicado da União Progressista expõe divisão, ameaça punições internas e enfraquece apoio do governo Lula no Congresso.

A Federação União Progressista — formada pelo União Brasil e pelo Progressistas (PP), que juntos somam mais de 100 parlamentares no Congresso Nacional — anunciou oficialmente o afastamento da base de apoio do presidente Lula.

Em nota oficial conjunta, os partidos determinaram que todos os parlamentares com mandato filiados às legendas devem renunciar aos cargos atualmente ocupados no governo federal. O comunicado, lido pelo presidente do União Brasil, Antônio Rueda, ao lado do líder nacional do PP, senador Ciro Nogueira (PI), reforça que haverá punições em caso de descumprimento.

“Em caso de descumprimento desta determinação, se dirigentes desta federação em seus estados, haverá o afastamento em ato contínuo. Se a permanência persistir, serão adotadas as punições disciplinares previstas no estatuto”, destacou a declaração oficial.

A decisão foi apresentada em pronunciamento na Câmara dos Deputados, após reunião entre lideranças das duas siglas. Segundo os dirigentes, o movimento representa “clareza e coerência” diante do cenário político nacional e da cobrança dos eleitores.


IMPACTO

A medida atinge diretamente os ministros Celso Sabino (pasta do Turismo, União Brasil - PA) e André Fufuca (Esporte, Progressistas - MA), ambos deputados federais licenciados. Até o momento, nenhum dos dois se manifestou publicamente sobre a determinação da federação.

O União Brasil, por meio do senador Davi Alcolumbre (AP), também possui influência em outras duas pastas: A do Desenvolvimento Regional, com Waldez Góes, e das Comunicações, com Frederico de Siqueira. Já o PP mantém o comando da Caixa Econômica Federal, sob gestão de Carlos Vieira, indicado pelo presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL).


REAÇÃO DO GOVERNO

Em resposta, a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, publicou mensagem nas redes sociais afirmando respeitar a decisão, mas reforçando a necessidade de lealdade por parte de quem optar por permanecer em funções ligadas ao Executivo.

“Respeitamos a decisão da direção da Federação da UP. Ninguém é obrigado a ficar no governo. Também não estamos pedindo para ninguém sair. Mas quem permanecer deve ter compromisso com o presidente Lula e com as pautas principais que este governo defende, como justiça tributária, a democracia e o estado de direito, nossa soberania. Precisam trabalhar conosco para aprovação das pautas do governo no Congresso Nacional. Isso vale para quem tem mandato e para quem não tem mandato, inclusive para aqueles que indicam pessoas para posições no governo, seja na administração direta, indireta ou regionais”, escreveu a ministra.


CENÁRIO

O desembarque oficial da Federação União Progressista amplia ainda mais as tensões na articulação política do Planalto e pode reconfigurar a correlação de forças no Congresso. O movimento também coloca em xeque a presença de aliados estratégicos nos ministérios e em estatais, pressionando o governo a reforçar sua base para garantir apoio às principais votações.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Nem COP30 salva: ‘gestão Ozempic’ afunda Pará em Ranking de Competitividade

Gestão de Daniel, em Ananindeua, é uma das mais eficientes e equilibradas do Pará

Educação de Ananindeua dá salto de qualidade com Daniel após queda na era Barbalho