Marituba: compra polêmica de terreno levanta suspeita de favorecimento

Imóvel de familiares de político aliado da prefeita foi adquirido sem licitação por R$ 2.8 milhões




A Prefeitura de Marituba, na Região Metropolitana de Belém, tornou-se alvo de questionamentos após a compra de um terreno que valorizou quase dez vezes em menos de um mês. O imóvel, adquirido por R$ 2,8 milhões, havia sido negociado anteriormente por apenas R$ 300 mil — uma diferença de R$ 2,5 milhões que levantou suspeitas de favorecimento político e falta de transparência.

De acordo com denúncias, o terreno pertencia a familiares do presidente da Câmara Municipal, aliado próximo da prefeita Patrícia Alencar (MDB). A transação foi feita com dispensa de licitação e de modo surpreendentemente rápido, prática que, segundo especialistas, caracteriza irregularidade. “Quando se trata de valores tão altos, a dispensa de processo licitatório e ainda mais a velocidade de conclusão da venda abre espaço para questionamentos sérios sobre lisura e legalidade”, aponta um jurista ouvido pela reportagem.

Outro ponto que gera polêmica é a justificativa para a compra. A Prefeitura alega que o terreno será destinado à construção de uma escola. No entanto, conforme parâmetros do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), apenas as salas de aula previstas no projeto exigiriam mais de 600 m² de área construída. Somando espaços como banheiros, biblioteca e cozinha, a metragem necessária poderia chegar a mil metros quadrados.



O imóvel comprado, entretanto, possui 544,66 m² de área edificada, abaixo do necessário. Embora o terreno total seja de 10.237 m², a construção existente é de caráter residencial e demandará grandes adaptações. Especialistas lembram que, em tese, o espaço não edificado poderia comportar diversas escolas, mas não há clareza sobre como será utilizada a área excedente.

Diante das inconsistências, resta o questionamento central: por que a Prefeitura de Marituba optou por pagar quase R$ 3 milhões em um terreno que, semanas antes, valia R$ 300 mil? E, sobretudo, como pretende justificar à população a utilização do espaço, adquirido com recursos públicos, mas ainda cercado de dúvidas sobre viabilidade e finalidade?

FONTE E FOTOS: PARÁ WEB NEWS

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