Novo PAC ignora Secretaria criada pelo governo Helder e sob influência de Priante
O Pará aparece com destaque no anúncio do NOVO PAC SELEÇÕES 2025. Foram 33 projetos aprovados em 29 municípios para obras de drenagem e contenção de encostas. Com pompa, o evento em Brasília contou com a presença do governador Helder Barbalho e do irmão dele, o ministro das Cidades, Jader Filho — uma dobradinha paraense no coração do governo Lula.
A propaganda oficial, amplamente divulgada pela Agência Pará, comemorou os investimentos como um passo decisivo para enfrentar problemas históricos de urbanização no Estado. Belém, Ananindeua, Castanhal, Barcarena, Altamira, Parauapebas e outros municípios foram contemplados com milhões em recursos para obras de infraestrutura urbana.
Mas, por trás do discurso festivo, há uma ausência difícil de ignorar: a Secretaria das Cidades — criada pelo governo Helder e supostamente responsável por formular políticas urbanas — não teve um único projeto aprovado. Isso mesmo: zero propostas contempladas.
CIDADES INVISÍVEIS
Mesmo tendo apresentado projetos ao Novo PAC, a Secretaria das Cidades foi ignorada pelo Ministério das Cidades. A única pasta estadual contemplada foi a Secretaria de Obras. E não se trata de falta de propostas: houve participação. O que não houve foi reconhecimento — técnico ou político — por parte do governo federal.
A situação seria, no mínimo, curiosa em qualquer cenário. No atual, beira o surreal. A secretaria paraense é comandada por Fernanda Paz, indicada pelo deputado federal José Priante, do MDB — o mesmo partido do ministro Jader Filho e também do governador Helder Barbalho. Mais: Priante é primo do ministro. A engrenagem política parece estar perfeitamente lubrificada, mas, na prática, falhou.
ACOMODAÇÃO DE LUXO
A Secretaria das Cidades do Pará é uma das chamadas secretarias de acomodação, criadas após a reeleição de Helder Barbalho para distribuir cargos e espaço de poder entre aliados políticos. Seu funcionamento é simbólico: ocupa uma sala modesta cedida pela Escola de Governança, na movimentada avenida Almirante Barroso, em Belém. Não tem sede própria, equipe técnica robusta ou orçamento relevante.
Conceitualmente, uma Secretaria das Cidades deveria formular e implementar políticas públicas voltadas à urbanização, habitação, mobilidade e saneamento. Mas, no Pará, essas atribuições são pulverizadas: a Cohab cuida da habitação por meio do politicamente operado programa “Cheque Moradia”; a Secretaria de Obras centraliza os grandes projetos de infraestrutura.
Resta à Secretaria das Cidades a função de acomodar. Sua existência institucional é muito mais partidária do que técnica.
“INTEGRAÇÃO FEDERATIVA”
Discursos oficiais falam em integração entre União, Estado e municípios. O governador Helder celebra a parceria com o presidente Lula. O ministro Jader Filho destaca a prioridade da prevenção urbana. Mas o que se vê, na prática, é que nem mesmo uma secretaria estadual dirigida por correligionários, primos e aliados diretos consegue emplacar projetos junto ao governo federal.
O contraste entre o discurso e a realidade sugere que a Secretaria das Cidades, além de inoperante, é também irrelevante — mesmo no jogo político que lhe deu origem.
A DANÇA DAS CADEIRAS
Há, por fim, o componente político-familiar. A Secretaria das Cidades é liderada por uma indicação direta de José Priante, primo do ministro e figura importante do MDB paraense. Priante, integra o grupo político que domina as esferas estadual e federal no Pará. Ainda assim, nem a aliança partidária, nem os laços familiares garantiram à pasta estadual um mínimo de relevância na maior iniciativa federal de infraestrutura urbana do País.
A pergunta que resta — incômoda e inevitável — é: para que serve, afinal, a Secretaria das Cidades do Pará?
RETIRADO DO PORTAL OLAVO DUTRA


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