Relação de amizade entre vítima e mandante surpreende investigadores de assassinato em Castanhal
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| Atirador (Matheus Lopes) e mandante (Rafael Mota) são presos pela Polícia Civil no interior do Pará. Crédito: Polícia Civil |
O dia ainda começava em Castanhal, nordeste do Pará, quando a rotina escolar de uma família foi interrompida por uma tragédia que chocou a cidade. O empresário Estevão Neves Pinto, 41 anos havia levado as duas filhas ao Colégio São José, no centro comercial do município, quando foi surpreendido por disparo de arma de fogo. A execução aconteceu diante das crianças, em plena luz do dia, e deixou a população atônita.
Menos de uma semana depois, a Polícia Civil anunciou a prisão dos dois principais suspeitos. Rafael Mota Ribeiro e Matheus Lopes de Abreu foram detidos no município de Santa Maria do Pará, enquanto se preparavam para fugir para São Paulo. Segundo as investigações, Rafael, apontado como mandante, teria articulado o plano por causa de uma dívida estimada em apenas R$ 12 mil. Matheus, por sua vez, seria o responsável pelos disparos que tiraram a vida do empresário.
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| O empresário Estêvão Neves Pinto |
Para os investigadores, o histórico de proximidade entre vítima e acusado é a resposta que justifica tamanha brutalidade. Rafael não era apenas conhecido de Estevão: era também sócio e amigo próximo. No velório, chegou a chorar diante do caixão, em uma cena que hoje os investigadores apontam como tentativa de disfarçar a participação.
A frieza do gesto impressionou até mesmo os policiais que conduzem o caso. Especialistas em Direito Penal explicam que tal comportamento pode ser interpretado como estratégia para construir um álibi emocional, afastando as primeiras suspeitas. O disfarce, no entanto, caiu por terra quando as provas da investigação ligaram Rafael diretamente ao planejamento do crime e ao apoio logístico dado ao executor.
O assassinato expõe a sensação de insegurança crescente do interior do Pará. A execução em frente a uma escola, acompanhada por crianças e testemunhada por dezenas de pessoas, gerou forte comoção e revolta. Pais, professores e lideranças locais cobram respostas mais firmes do estado contra o avanço da violência e dos crimes de mando, frequentes na região.
Rafael e Matheus foram encaminhados ao sistema prisional e devem responder por homicídio qualificado e associação criminosa. A pena pode chegar a 30 anos de prisão. A Polícia ainda investiga se outras pessoas participaram da trama e tenta identificar a real dimensão das disputas financeiras entre vítima e mandante.


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