Operação Eclesiastes: PF mata Marcello Carvalho por engano, afirma promotor
O jovem Marcello Victor Carvalho de Araújo, 23 anos, foi morto nas primeiras horas da manhã durante operação “Eclesiastes” da Polícia Federal no bairro do Jurunas, em Belém. Ele era filho da escrivã Ana Suellen Carvalho, que morava com ele, no Edifício La Ville, entre o Jurunas e a Batista Campos, e era formado em Educação Física. Segundo parentes, Marcello levava uma vida discreta: estudava, cuidava de cachorros, não curtia baladas e tinha hábitos tranquilos.
A operação decorreu com cumprimento de mandados de prisão preventiva e busca e apreensão contra suspeitos ligados a tráfico internacional de drogas e lavagem de dinheiro, além do sequestro judicial de bens que podem ultrapassar R$ 1,5 bilhão. O alvo principal era um homem chamado Marcelo Pantoja Rabelo, apelidado “Marcelo da Sucata”, companheiro da mãe de Marcello Carvalho.
De acordo com familiares, ao invadir o apartamento por volta das 6h, agentes teriam confundido os nomes e matado o jovem sem que ele participasse do esquema investigado. A tia-avó da vítima, promotora Ana Maria Magalhães, denunciou que a operação foi desastrosa: “Eles arrombaram a porta descartando que Marcello não tinha qualquer investigação e foi executado por engano por um homônimo com o mesmo nome do alvo real”, afirmou.
Segundo Mário Rivera, primo da vítima, os policiais entraram no imóvel “bastante alterados”. O primeiro tiro teria atingido Marcello fora do quarto. A mãe tentou intervir, identificando-se como policial civil, mas segundo familiares foi agredida verbalmente e fisicamente.
A PF, por sua vez, afirmou que Marcello teria reagido à abordagem e foi baleado. Segundo nota oficial, ele foi atendido imediatamente, mas não resistiu. A família contesta a versão e pede investigação rigorosa. A promotora e parentes afirmam que ele não era alvo, tampouco tinha antecedentes criminais. O corpo do jovem foi levado para a Polícia Científica do Pará. Um perito da PF de Brasília deverá vir para Belém para auxiliar na perícia sobre o corpo.
Enquanto isso, investigadores ainda não definiram se Marcello foi morto em seu apartamento ou já no local onde foi encontrado. Também não está claro se o furto ou agressão foram consequências ou elementos do crime. O carro da vítima foi apreendido e a hipótese de participação de outras pessoas ainda é estudada.

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